Introdução
A pintura paisagística não é apenas a descrição de um cenário mas um modo especial de expressão lírica. É semelhante ao desenho à vista, descrevendo aquilo que se vê através de papel e lápis, desde os esboços mais elementares até ao mais apurado desenho a cores. A imagem pode ser derivada da memória ou ser captada de uma simples leitura e pode até ser uma interpretação alternativa do universo interior.

Na pintura paisagística há várias formas de expressão, desde o realismo ao impressionismo, do abstraccionismo ao semi-abstraccionismo... que variam consoante os interesses do artista e o modus operandi expressivo. Exceptuando os símbolos ilegíveis, as pinturas paisagísticas e geográficas são outro registo importante da configuração geral de um dado lugar, e que permitem até seguir a sua evolução histórica ao longo dos tempos, em particular antes do advento da fotografia.

Desde que os portugueses se estabeleceram em Macau em meados do século XVI, esta transformou-se de um porto de pesca incaracterístico numa plataforma de intercâmbio de culturas, mercadorias e religiões entre o Oriente e o Ocidente. Embora a arte ocidental tenha sido introduzida na China através de Macau, ela só se localizaria com a chegada do pintor inglês George Chinnery, já em inícios do século XIX, que trouxe consigo as técnicas académicas da pintura ocidental, que serviram sobretudo para descrever paisagens e personagens.


Em busca das raízes da pintura de Macau

O desenvolvimento da pintura de Macau, sobretudo paisagística, pode ser genericamente dividida nas seguintes fases:

Século XIX
Em 1825, o pintor inglês George Chinnery chega a Macau, onde irá residir durante 27 anos, produzindo numerosos desenhos, pinturas a óleo e aguarelas, registando vividamente a cultura de Macau e o tipicismo das suas ruas e vielas, tendo influenciado profundamente, Thomas Watson, Marciano António Batista e outros pintores chineses e estrangeiros. Outro pintor que captou com mestria os variados cenários de rua, edifícios, igrejas e templos, multidões e costumes de Macau do século XIX foi o pintor francês Auguste Borget .

Século XX

Durante a Guerra do Pacífico (1941–1945), Smirnoff refugiou-se em Macau em 1944, escapando à guerra durante um ano, em companhia do pintor macaense Luís Luciano Demée. Muito influenciados por Smirnoff, pintaram vistas líricas e animadas da pequena urbe portuária.

Décadas de 50 e 60
Durante este período, a pintura de Macao ganhou finalmente reconhecimento público. A Associação para o Estudo da Arte de Macau, originalmente Associação de Arte de Macau, integrava Tam Che Sang, Lok Cheong, Ng Hei U, Chio Vai Fu e Guan Wanli, entre outros; a Associação Arco-Íris de Macau contava com o dinamismo do inglês Frederick Joss e ainda Tam Che Sang e Herculano Estorninho. Além destes outros pintores como Kam Cheong Ling, Kwok Se e Adolfo C. Demée também se tornaram activos nos círculos artísticos de Macau nesta época.

Pós-anos 70
Em consonância com o rápido desenvolvimento da economia, particularmente da indústria do turismo, a arte e a cultura de Macau deram passos de gigante, impulsionadas por uma criatividade cada vez maior. Nesta fase emergem um grande número de artistas da nova geração como Pun Sio Ieng, Pun Lon San, Poon Kam Ling, Poon Kam Ha Elsa, Poon Kam Pek, Io Fong, Luk Tin Chi, Sio In Leong, Lio Man Cheong, Lai Ieng, Lok Hei, Ng Wai Kin, Ung Vai Meng e Choi Su Weng, com todos eles a utilizarem o pincel para testemunhar as mudanças e desenvolvimento de Macau e também lançar os sólidos alicerces que seriam futuramente explorados pela sua arte contemporânea.


Pintura da Paisagem de Macau do Século XX mostra-nos as clássicas pinturas paisagísticas dessa época, que fazem parte da colecção do Museu de Arte de Macau. Sob o tema Paisagens de Macau, poderão apreciar-se desenhos, aguarelas e quadros a óleo, sobretudo sobre temas do quotidiano mas também produzidos de memória ou a partir de documentação, num total de 65 trabalhos de 25 artistas.

As obras de arte exibidas em Pintura da Paisagem de Macau do Século XX que ilustram o século passado talvez não sejam suficientes para relembrar todos os aspectos do passado da cidade mas registam cenas valiosas da transformação da pequena urbe, estimulando o afecto do público pelo lugar e retendo o retrato de uma era antiga, contrastando o passado com o presente e identificando as variações no seu desenvolvimento sustentado.




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