Nas Brisas da Primavera

Pinturas e Caligrafia de Yang Shanshen doadas à Colecção do MAM por Lei Loi Tak e Lao Ngai Leong

Mensagem

Yang Shanshen (1913-2004), também conhecido como Yang Shen Sum, com o nome de cortesia Liu Zhai, é um mestre da Escola Lingnan de Pintura. Natural de Taishan, em Guangdong, ficou fascinado pela pintura desde jovem e como autodidata gostava de imitar artistas antigos. Yang mudou-se para Hong Kong em 1930. Aos 22 anos, viajou para Quioto, Japão, onde estudou pintura com Insho Domoto durante três anos no Instituto de Arte Domoto. Em 1940, conheceu o famoso pintor chinês Xu Beihong em Singapura, colaborando com ele em várias obras. Após a ocupação de Hong Kong pelos japoneses em 1941, refugiou-se em Macau e co-fundou, com Gao Jianfu e Feng Kanghou, a Associação de Arte Xieshe. Yang foi profundamente influenciado por Gao – aclamado como um dos “três mestres da Escola Lingnan” – que foi seu mentor e amigo, e cujo relacionamento o beneficiou imenso.

Yang Shanshen manteve uma relação profunda com Macau, onde se refugiou durante a guerra e onde se juntou aos mestres. Em 2004, o Museu de Arte de Macau (MAM) realizou a exposição Novas Pinturas e Caligrafias de Yang Shan Shen, já então com uma idade muito avançada. Nove anos depois, no centenário do seu nascimento, o MAM apresentou Yang Shan Shen – O Legado: Exposição Comemorativa dos Cem Anos do Seu Nascimento. Em 2022, nove anos depois, o MAM apresenta 100 peças/conjuntos das últimas obras-primas do artista, das colecções particulares do Sr. Lei Loi Tak e do Sr. Lao Ngai Leong, personalidades de relevo de Macau, que foram doadas gratuitamente ao Museu de Arte de Macau. Estes excelentes trabalhos de pintura e caligrafia de Yang são bastante representativos. A sua caligrafia, utilizando estruturas das inscrições de estelas das dinastias Han, Wei e das Seis Dinastias, denota uma individualidade distinta. Em termos de pintura, as paisagens, trabalhos de pássaros-e-flores e pinturas de figuras são brilhantes. Além disso, o artista tinha uma propensão para inscrever poemas, textos e alusões literárias em pinturas, resultando daí uma composição em que poesia, caligrafia e pintura se complementam e enriquecem mutuamente, com um encanto extraordinário.

Após regressar a Hong Kong em 1945, onde passou a viver desde então, Yang Shanshen deu ao seu estúdio o nome de Chun Feng Cao Tang (Chalé Brisa da Primavera). Em 1970, criou a Associação de Pintura Chunfeng, onde ensinava vários alunos. Isso explica por que a exposição de 2013 foi intitulada Chun Feng Miao Bi, que significa “Brisa da Primavera, Pincel Refinado” (o título em português era Yang Shan Shen – O Legado). Este ano, a brisa primaveril volta a soprar, pois o MAM intitula esta exposição Tu Hua Chun Feng, que significa “Pintura da Brisa da Primavera”, (com o título em português Nas Brisas da Primavera). O título não só simboliza que Chun Feng Cao Tang do Sr. Yang continua a prosperar em Macau, mas também exalta a boa acção da brisa primaveril do Sr. Lei Loi Tak e do Sr. Lao Ngai Leong, que se empenharam de alma e coração no domínio da cultura da Região Administrativa Especial de Macau. Embora o Sr. Yang e o Sr. Lei já tenham partido, legaram-nos uma primavera artística perene.

Desejo que a exposição seja um grande êxito.

 

Leong Wai Man

Presidente do Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau

Piso 4 do Museu de Arte de Macau

Duração:
2022/04/02 - 2022/11/13