Foco

Integração Artística entre A China e o Ocidente nos Séculos XVIII e XIX

Prefácio


As primeiras pinturas ocidentais chegaram à China através de Macau pela mão de missionários estrangeiros, iniciando toda uma tendência na pintura de Cantão nos séculos XVIII e XIX. A presença, em Macau, de oficiais estrangeiros e chineses, homens e mulheres da alta sociedade, mercadores e marinheiros alimentou a procura por retratos ao estilo ocidental, levando à emergência de ateliers comerciais de pintura à volta do porto de Cantão. Estes ateliers influenciariam significativamente o estilo da moderna pintura chinesa de retrato e dos calendários comerciais ilustrados do início da República da China.  

Entretanto, todo um diverso leque de obras de arte floresceu no Delta do Rio das Pérolas, incluindo pintura de paisagem ocidental, gravura, pintura tradicional chinesa em papel de caroço e pintura invertida sobre vidro. Estas obras exploravam uma variedade de temas, tais como a produção agrícola, os hábitos e a moda, o comércio, os diversos ofícios, as celebrações e o entretenimento. Antes da introdução da fotografia no Oriente, estas obras tiveram um papel crucial na apresentação da cultura e sociedade chinesas ao Ocidente, servindo como registo inestimável do intercâmbio comercial e cultural entre ambos nos finais da dinastia Qing.  

Enquanto primeira porta de entrada da pintura ocidental no Oriente e local de nascimento das pinturas China Trade no século XVIII, Macau é o palco perfeito para acolher esta exposição, que examina as origens e complexidade deste legado artístico. Esta exposição constitui a mais extensa mostra de pintura China Trade  e trabalhos ao “estilo de George Chinnery” nas ricas  colecções do Museu de Arte de Macau (MAM) e do Museu  de Guangdong, assim como do Museu de Arte de Hong  Kong, de onde é oriunda uma selecção de obras. As três secções principais da exposição incluem 320 peças admiráveis, que exploram diversos estilos, técnicas e materiais de pintura.  

Estas obras demonstram como os artistas chineses e estrangeiros do Delta do Rio das Pérolas foram pioneiros de uma era de ouro na arte comercial moderna da China através do intercâmbio e integração de formas artísticas chinesas e ocidentais nos séculos XVIII e XIX. A exposição também sublinha o papel essencial de Macau no nutrir de pintores chineses de influência ocidental e no desenvolvimento do “estilo artístico de Chinnery”. Quase metade das obras mostradas são provenientes da colecção do MAM, incluindo uma série de pinturas China Trade nunca antes expostas.  

Esta exposição é uma oportunidade única para ver pinturas que captam a vida quotidiana e o povo de Macau, um fervilhante porto comercial e também uma pitoresca cidadezinha piscatória. Por outro lado, estas obras também oferecem vívidas perspectivas da interacção entre as culturas chinesa e ocidental, constituindo preciosos registos visuais de Cantão no século XIX.  

Foco acentua sobretudo o pintor britânico George Chinnery, que viveu 27 anos em Macau, onde também está sepultado. Para celebrar o 250º aniversário do seu nascimento, o MAM decidiu aumentar o número de peças de George Chinnery e seus estudantes mostrado nesta exposição e que pertencem à sua colecção. O mais influente pintor ocidental na China do século XIX, Chinnery chegou a Macau em 1825. O artista tinha romantizado os estilos de pintura tradicionais da Academia Britânica, adaptando-se às condições geográficas e culturais das costas do sul da China.  Esta integração de estilos exerceu grande influência nos artistas chineses de Cantão, assim como nos pintores macaenses e nos habitantes ocidentais de Macau. 

 A emergência daquilo que hoje se conhece por “estilo de pintura de Chinnery” impressionou os mecenas chineses e ocidentais e inspirou os artistas a adoptar novas técnicas. Os pintores que seguiram George Chinnery, dominaram a perspectiva, composição e delicado uso da luz e da sombra, a par de uma fusão de paletas cromáticas quentes e frias e ilustrações complexas, o que conduziria não só à inovação criativa como à produção de obras que satisfaziam simultaneamente os gostos chinês e ocidental. Estas pinturas são artísticas, decorativas e documentais, possuindo um precioso significado histórico e valor académico no que concerne ao intercâmbio cultural entre as tradições culturais da China e do Ocidente.  Tiveram também um papel fundamental na localização da pintura a óleo na China.  

Esta exposição celebra os pintores de Guangdong, Hong Kong e Macau que, há dois séculos, adoptaram uma atitude pragmática de acompanhar os tempos e abraçar a diversidade numa abordagem criativa e ousada às artes plásticas. É também assim que o MAM contínua dedicado a um espírito de abertura, atento à colecção, mostra, pesquisa e promoção destas obras históricas. Coincidindo com a ocasião especial do 25º aniversário da reunificação de Macau com a China, este evento procura chamar a atenção do público para estes extraordinários feitos artísticos e culturais, sublinhando o importante papel de Macau na história da arte moderna chinesa e reforçando os fortes elos entre Guangdong, Hong Kong e Macau à medida que continuam a trabalhar e crescer em conjunto.  

Enquanto membro da Aliança de Museus da Área da Grande Baía de Guangdong -Hong Kong - Macau, o Museu de Arte de Macau do Instituto Cultural tem por missão a óptima utilização e partilha de recursos relacionados com relíquias culturais únicas, assim aprofundando a cooperação entre as instituições culturais na Área da Grande Baía. Através de exposições colaborativas de alta qualidade, aspiramos a trazer mais uma era de ouro da cultura e arte à Área da Grande Baía.  

Un Sio San  
Directora do Museu de Arte de Macau  

 


 



Data de Abertura:
2024/05/10 18:30
Duração:
2024/05/11 - 2024/09/15