Olá, o que fazes aqui?

Exposição Principal de Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2025

NOTNOTA DO CURADOR PRINCIPAL

 

“Olá, o que fazes aqui?” é uma expressão simples e informal do dia-a-dia utilizada para indagar sobre o motivo e o propósito de uma visita. Quando usada num contexto amigável, expressa, em geral, uma saudação ou curiosidade e interesse em relação ao visitante; caso contrário, pode sugerir uma atitude hostil, ou mesmo uma recusa indiferente.

Tendo esta pergunta como ponto de partida temático, a “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2025” pretende explorar e abordar a história e as memórias de Macau, bem como a sua real situação no actual contexto de globalização. O tema poderá também prender-se directamente com as questões fundamentais: “Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?”
Vivemos numa época em que as viagens de longa distância já não são dignas de nota. A globalização impedida e redireccionada, as divisões causadas pela geopolítica e a aceleração das guerras frias culturais levaram a um aumento desenfreado do conservadorismo, do nacionalismo e do populismo, diminuindo a nossa curiosidade pelas terras exóticas. A perspectiva limitada decorrente dos ciclos históricos promove o isolamento e a estagnação. A título de exemplo, a actual guerra comercial tem-nos reduzido, cada vez mais, a um estado de segregação e alienação. Por sua vez, a arte contemporânea vê-se também encalhada em desafios e dilemas duplos sem precedentes, tornando a necessidade de novas descobertas e de novos caminhos partilhados para o desenvolvimento ainda mais urgente. Navegando pelos altos e baixos do desenvolvimento, a arte contemporânea está constantemente a redefinir-se e a adaptar-se às complexidades da dicotomia “globalização/localidade”, com base nas transformações dos tempos.

Nunca antes houve uma época como a actual, tão cheia de incógnitas. É imperativo fazer destas incertezas um ¬ o condutor, levantar questões para chegar a várias respostas e procurar caminhos interligados, apoios e resoluções. Ou, quando confrontados com o dealbar forçado da existência digital numa cultura baseada na Internet e na era da inteligência arti¬ cial, é ainda mais importante continuarmos a desenvolver os nossos pensamentos, percepções e consciência sobre as mesmas. Este conceito de curadoria centrado na colocação de questões é, por conseguinte, uma forma de explorar questões de forma proactiva e artística, manifestando capacidade de auto-crítica, escolhas e expressões na exploração do sentido, do valor e da responsabilidade da vida.

Ao colocar uma questão tão profunda neste contexto, podemos percepcionar a mudança dramática no   uxo e na temperatura dos tempos com mais sensibilidade do que nunca. Na concepção da Exposição Principal, esperamos apresentar obras dos 46 artistas convidados através da configuração de espaços interligados, estruturas incorporadas e formas dobradas, iniciando um diálogo de diferenciação entre o eu e os outros em diferentes domínios, sob o tema da edição deste ano da Bienal Internacional de Arte de Macau, o que nos permitirá também explorar e identi¬ car a cultura e a arte contemporâneas de Macau, transcendendo fronteiras geogrᬠcas e barreiras de identidade cultural.
Ao ouvir o som de passos, abrimos a porta e somos recebidos por um panorama luminoso que nos permite testemunhar o crescimento de todas as coisas. Através de viagens, visitas, intercâmbios artísticos, encontros e amizades, reavivamos juntos o esplendor de diferentes culturas na Arte Macau!

FENG BOYI
Curador Principal