Informações sobre a Exposição
Yang Shanshen (1913–2004), natural de Taishan, província de Guangdong, foi um pintor pioneiro da Escola Lingnan, conhecido, juntamente com Guan Shanyue, Li Xiongcai e Zhao Shaoang, como os Quatro Mestres da Escola Lingnan. Yang soube extrair a essência da pintura chinesa, antiga e moderna, e da pintura ocidental, integrando-as com uma nova abordagem. As suas obras mostram uma combinação de estilo meticuloso e de desenho livre, com pinceladas delicadas, um desenho preciso e estilos diversos.
Bom na pintura chinesa, Yang destacou-se na pintura de paisagens, de pássaros-e-flores e de figuras, que denotam uma beleza introvertida e elegância subtil, mas com cores berrantes e vigorosas, dando um sabor literário de Lingnan (Guangdong), com uma elegância simples e um espírito poético. Dentre os pintores da Escola Lingnan a sua caligrafia é particularmente notável. Praticando com um foco na emulação de gravuras de inscrições antigas, Yang criou uma caligrafia fundamentalmente simples, ingénua e pouca sofisticada, ao mesmo tempo tradicional e moderna.
Em 2004, o Museu de Arte de Macau (MAM) realizou pela primeira vez a exposição Novas Pinturas e Caligrafias de Yang Shan Shen. Nove anos depois, em 2013, inaugurou Yang Shan Shen – O Legado: Exposição Comemorativa dos Cem Anos do Seu Nascimento. Em 2022, decorridos mais nove anos, o MAM volta a apresentar uma exposição de caligrafia e pintura de Yang Shanshen, mestre da Escola Lingnan. Esta exposição é intitulada Nas Brisas da Primavera: Pinturas e Caligrafia de Yang Shanshen doadas à Colecção do MAM por Lei Loi Tak e Lao Ngai Leong. As palavras-chave do título derivam do nome do estúdio de Yang Shanshen – Chalé Brisa da Primavera – com o título em chinês Tu Hua Chun Feng denotando todas as delícias da primavera, que é também a estação em que a exposição é inaugurada. Entretanto, a exposição é também uma homenagem aos senhores Lei Loi Tak e o Lao Ngai Leong pela sua dedicação em servir a sociedade através desta doação que irá enriquecer os recursos culturais do governo. A sua bondade é admirável.
Nos seus últimos anos, Yang Shanshen esteve activo na Grande China, estabelecendo uma relação profunda com Macau. No início de carreira, estudou artes plásticas no Japão. Durante a Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa refugiou-se em Macau, onde foi influenciado por Gao Jianfu, o co-fundador da Escola Lingnan. Mais tarde, mudou-se para Hong Kong e criou a Associação de Pintura Chunfeng, passando a ensinar pintura e assim formou um grande número de talentos. Fazendo amizade com muitas pessoas notáveis, nos seus últimos anos tornou-se amigo íntimo de Lei Loi Tak, uma celebridade de Macau. Estas 100 obras-primas de final de carreira de Yang Shanshen pertenciam originalmente à colecção privada do Sr. Lei Loi Tak e do seu amigo próximo Sr. Lao Ngai Leong, o primeiro um galardoado com a Medalha de Honra de Lótus de Prata da RAE de Macau e o segundo o deputado de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN). Com o Sr. Lei a manter uma estreita e profunda amizade com o pintor na sua idade avançada, tanto Lei como Lao adquiriram um bom número de excelentes obras de Yang. No entanto, com base no princípio “a alegria compartilhada é mais apreciada”, os dois cavalheiros gentilmente doaram a sua colecção ao MAM. Agora, esta mostra oferece aos visitantes não apenas um vislumbre da arte da Escola Lingnan de Yang, mas também os inspira a apreciar a dedicação de espírito público dos doadores. Esta exposição especial evoca de facto outra boa lembrança da brisa primaveril e é também uma demonstração da bondade dos senhores Lei e Lao.
São exibidas um total de 100 obras, incluindo 30 peças de caligrafia em escrita corrida e 70 peças de pintura. Será publicado um catálogo da exposição e, para fins educativos, também será produzido um caderno da caligrafia de Yang Shanshen para os interessados em a emular e estudar, para que a sua técnica de escrita corrida possa ser transmitida às gerações futuras.