INTRODUÇÃO
Entre os séculos XVI e XIX, a China estabeleceu ligações comerciais e culturais com diversos países asiáticos e europeus através da Rota Marítima da Seda, enriquecendo profundamente a história da cultura material de ambos os continentes. Graças a numerosas interacções, a corte Qing e a família real portuguesa mantiveram um intercâmbio mútuo que resultou numa variedade de refinados presentes, incluindo notáveis artefactos e artigos de corte que fundiam as ciências e culturas da China e do Ocidente, todos de valor cultural e artístico único.
Durante este período, Macau assumiu uma relevância histórica especial enquanto plataforma vital de trânsito entre a China e a Europa, particularmente nas relações sino-portuguesas. A cerâmica de exportação descoberta em Macau, bem como a cerâmica produzida na China e levada para Portugal, constituem manifestações tangíveis das trocas culturais entre os dois países.
A exposição Reflexos das Ligações Marítimas: O Intercâmbio Cultural Sino-Português entre os Séculos XVI-XIX divide-se em três secções: “Aurora da Rota da Porcelana”, “Intercâmbio Cultural em Porcelana” e “Diálogos entre Cortes”. Reunindo 177 peças do Museu do Palácio, de instituições culturais portuguesas, como o Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu do Oriente e a Biblioteca da Ajuda, e de departamentos sob a tutela do Instituto Cultural de Macau, a exposição apresenta a fascinante história das relações entre a corte Qing e a família real portuguesa entre os séculos XVI e XIX, destacando os numerosos intercâmbios comerciais e culturais sino-portugueses e explorando o papel crucial de Macau como plataforma vital de trânsito neste período charneira na história mundial.