SECÇÃO 3
DIÁLOGOS ENTRE CORTES
Durante o período de Kangxi da dinastia Qing, foram estabelecidas relações diplomáticas formais entre a corte chinesa e a família real portuguesa. Os presentes trocados constituem testemunho material deste diálogo entre civilizações. Antes do reinado de Qianlong, o rei português enviou emissários à China em cinco ocasiões. Segundo os registos históricos, os artigos oferecidos incluíam armamento, tal como pistolas e espadas, mas também refinados artigos domésticos e luxuosas peças de arte. A reacção da corte Qing foi aderir à etiqueta diplomática da “munificência em oferecer e modéstia em receber”, retribuiu aos emissários portugueses com uma abundância de presentes, incluindo artigos chineses de recome mundial, a par de objectos de uso quotidiano, como porcelana, seda e chá. Estes encarnavam o intercâmbio político, cultural e económico, bem como as interacções entre as duas cortes, reflectindo uma expressão mais profunda do diálogo transoceânico.
Os missionários portugueses que serviam na corte Qing desempenharam um papel crucial no incremento das relações diplomáticas sino-portuguesas. Portugal mantinha o “Padroado” no Extremo Oriente desde o século XV. Após a criação da Companhia de Jesus, o seu desenvolvimento no Oriente depende primariamente do apoio da coroa portuguesa. Segundo estatísticas incompletas, entre o final do século XVI e o século XVIII, mais de 60 jesuítas portugueses vieram à China, servindo como missionários por mais de vinte anos. Entre os missionários notáveis que serviram na corte, contam-se Gabriel de Magalhães, Félix da Rocha, José de Espinha e Tomás Pereira, tendo todos feito significativas contribuições em vários campos ligados ao cálculo do calendário, à mecânica, à cartografia e à música de corte.